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Agencia Nacional
de Aviação Civil


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AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL – ANAC

Comissão Especial da ANAC
Audiência Pública Nº 3- dia 22 de maio de 2001

A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Graziella Baggio, participou, no dia 22 de maio, de audiência pública promovida pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados para discutir o projeto que cria a Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC). Além de Graziella, participaram desta o presidente do SNEA, George Ermakoff, e o representante do Sindicato das Empresas de Taxi-Aéreo, José Afonso Assumpção. A intervenção da representante dos aeronautas começou com uma crítica à falta de transparência e participação da comunidade da aviação no processo de elaboração do projeto do governo federal. "Por que o governo não adotou a metodologia de consulta pública, como está fazendo com o Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA), para colher sugestões para o projeto da ANAC?", questionou Graziella.

A presidente do SNA lembrou que desde o Congresso Constituinte, em 1988, os trabalhadores carregam a bandeira da desmilitarização da aviação civil e defendeu a vinculação da ANAC ao Ministério dos Transportes. Graziella argumentou também que as propostas de se tornar onerosas as concessões de linhas aéreas e a exploração dos espaços aeroportuários devem ser condicionadas à uma reforma estrutural do setor aéreo. "Se a carga tributária não diminuir, se não houver revisão dos acordos bilaterais e se as regras para financiamento, preços de combustível e importação de aeronaves e equipamentos não forem revistas, as empresas não suportaram os novos custos e os empregos dos aeronautas estarão ameaçados", advertiu.

Aeronauta terceirizado não dá, avisa Graziella

Graziella afirmou que é inadmissível o artigo do projeto que cria a figura do aeronauta terceirizado. "Não queremos que aconteçam acidentes como o da plataforma EP-36 na aviação civil", assinalando que os acidentes da Petrobrás têm sido causados pela política de terceirização de mão de obra da empresa. A representante dos trabalhadores refutou ainda a possibilidade, levantada pelo deputado Albérico Filho (PMDB-MA), de adoção de legislação trabalhista diferenciada em função do porte das companhias aéreas. "Essa colocação é capciosa. Nem os empresários reivindicam isto. Acredito que não é função da ANAC discutir o que já está estabelecido na lei da regulamentação profissional e nas convenções coletivas de nossa categoria", respondeu Graziella.

Nesta mesma audiência, o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) criticou as propostas apresentadas pelo representante dos empresários com relação ao prazo das concessões para a exploração dos serviços aéreos e a forma da licitação das linhas comerciais. Ao contrário do projeto do governo que prevê dez anos para as concessões e licitações para cada linha específica, o SNEA propõe que as concessões tenham uma duração de cinqüenta anos, com uma renovação automática. Sobre a distribuição das linhas aéreas, o SNEA defende que, após a comprovação da capacidade operacional e das condições econômico-financeiras, as empresas estariam habilitadas a operar em qualquer rota nacional ou internacional. "Isso não é licitação. O que o senhor (Ermakoff) está propondo é apenas uma pré-qualificação. Uma licitação pressupõe a concorrência entre os agentes privados", afirmou o deputado Goldman. O prazo de cem anos para as concessões do serviço público de transporte aéreo foi considerado um absurdo pelo tucano. "Isso não existe em lugar algum do mundo". O deputado Goldman disse ainda que o prazo máximo nos setores de energia, telecomunicações e transportes é de trinta anos. Diante das críticas, o representante das empresas - George Ermakoff -, prontamente, declarou que trinca e cinco já seria interessante para o SNEA.

(Ronaldo de Moura)

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