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CARTA ABERTA
Aos Excelentíssimos participantes da Reunião de Presidentes da América do Sul, realizada nos dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2000 na cidade de Brasília, Capital Federal do Brasil.
Aos Chefes de
Estado:
Argentina, Fernando de la Rúa Bolívia, Hugo Bánzer Suaréz Brasil, Fernando Henrique Cardoso Chile, Ricardo Lagos Colômbia, Andrés Pastrana Arango Equador, Gustavo Noboa Guiana, Bharrat Jagdeo Paraguai, Luis González Macchi Peru, Alberto Fujimori Suriname, Runaldo Ronald Venetiaan Uruguai, Jorge Batlle Venezuela,
Hugo Chávez
Senhores Presidentes:
Considerando
a relevância da reunião de Chefes de Estado e de governo dos países
da América do Sul, como forma de estreitar as relações
internacionais e aumentar os laços de integração comercial;
Considerando
a importância que os transportes aéreos têm na integração e
progresso do Continente e de seus povos;
Considerando
a estreita vinculação e incidência da política aerocomercial com
a soberania das nações;
Considerando
que a política de céus abertos representa a aplicação ao
transporte aerocomercial das leis de mercado de forma irrestrita,
com os resultados conhecidos;
Considerando
que questões de normas de segurança aérea são utilizados por
governos de fora da região como elementos de política
aerocomercial, limitando o acesso a seus mercados;
Considerando
as cada vez mais intensas pressões dos Estados Unidos da América
do Norte para a abertura dos céus Sul Americanos; e as de alguns países
da Europa para uma liberalização mais ampla,
As
entidades que subscrevem esta carta manifestam seu repúdio a
qualquer tratativa que aponte para a abertura dos céus, de modo que
as mega transportadoras Norte Americanas e Européias possam operar
vôos sem restrições desde / até os países Sul Americanos, o que
significaria um grande prejuízo para nossas nações.
Em
tal sentido, é nossa intenção alertá-los para as seguintes questões:
1- O
transporte aéreo tem crucial importância econômica e social para
qualquer país. No Brasil, o maior país da região, o impacto total
dos transportes aéreos é de aproximadamente 18 bilhões de dólares,
o que equivale a 3% do Produto Interno Bruto. Na Argentina, 22 milhões
de passageiros utilizam o transporte aéreo cada ano.
2- O
transporte aéreo tem uma importância estratégica para a coesão
nacional e para a integração continental e mundial de qualquer país,
especialmente das nações mais isoladas ou nas que se faz necessário
percorrer grandes distâncias. As indústrias aeronáutica e
aeroespacial constituem importantes fatores de desenvolvimento econômico
e progresso científico – tecnológico.
3- O
transporte aéreo é decisivo para o incremento da atividade turística,
uma das que mais empregos gera no mundo – um de cada nove empregos
no planeta é direta ou indiretamente gerado pelo turismo –
atividade que, só na região do Mercosul, atrairá cerca de 15 milhões
de turistas durante o ano 2000.
4- Em
uma eventual desregulamentação do espaço aéreo, as Aerolíneas
Sul Americanas não teriam como competir em igualdade de condições
com as principais transportadoras internacionais. Tão somente um
dado que confirma esta clara desvantagem comparativa: a frota de
aeronaves da American Airlines, considerada individualmente, é
maior que a somatória de todas as frotas aéreas da América Latina
em conjunto. O poderio das empresas nacionais Latino Americanas é
muito menor do que o das grandes companhias Norte Americanas, o que
poderia proporcionar a estas últimas uma concorrência predatória,
cujo efeito seria a quebra das Aerolíneas de nossos países, tendo
como resultado final o desaparecimento de milhares de empregos
altamente qualificados e especializados.
5- Para
o consumidor, a abertura dos céus não significa a redução, no médio
e longo prazo, das tarifas aéreas através da concorrência. Os
dados demonstram que os preços por quilômetro voado são mais
caros nos países que firmaram acordos de céus abertos com os
Estados Unidos (Chile: US$ 0,11; El Salvador: US$ 0,28) que entre os
que não firmaram este tipo de acordo (Argentina e Brasil: US$ 0,09
em média). Também demonstram que os países com céus abertos já
registram uma clara tendência para a fixação oligopólica dos preços
por parte das empresas que se impõem em seus mercados. O prejuízo,
obviamente, é para o consumidor (ver anexo).
Com
esta carta pretendemos contribuir com dados objetivos a indispensável
reflexão que deve preceder a tomada de qualquer iniciativa de mudança
nos acordos bilaterais hoje existentes.
É
oportuno assinalar que os Estados, frente a globalização da
economia, levam a cabo suas negociações através de blocos de países
com políticas comuns e estratégias definidas para enfrentar com
melhores possibilidades de êxito os novos desafios econômicos. Em
matéria aerocomercial, o mercado nacional dos EUA assim como o
mercado europeu, proporciona vantagens de escala a mercados
ampliados que favorecem suas oportunidades econômicas.
Nesse
sentido, para consolidar uma política aerocomercial em nossa região,
consideramos imprescindível a inclusão do transporte aéreo no
Sub-grupo de Trabalho sobre Transportes do Mercosul, e uma melhor
coordenação aerocomercial entre o Mercosul e a Comunidade Andina.
Devemos analisar, entre outras questões, a possibilidade de
promover alianças estratégicas das linhas aéreas dentro da região;
estabelecer salvaguardas a utilizar pelos países membros nas
negociações bilaterais com os países extra-regionais; analisar a
modificação e ampliação do Acordo de Fortaleza; adequar nossa
legislação interna, aprofundar e harmonizar as normas de segurança
aérea na região.
À
espera de sua compreensão, nos colocamos desde já a disposição
de Vossas Excelências a fim de efetuar qualquer esclarecimento que
se faça necessário.
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COORDENADORA DE CENTRAIS SINDICAIS
DO CONE SUL (CCSCS)
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INTERNATIONAL TRANSPORT WORKERS
FEDERATION (ITF)
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CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES CUT - BRASIL)
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CENTRAL DE TRABAJADORES ARGENTINOS (CTA - ARGENTINA)
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CENTRAL GERAL DOS TRABALHADORES (CGT- BRASIL)
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CENTRAL GENERAL DE TRABAJADORES (CGT- ARGENTINA)
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CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE TRABALHADORES
EM TRANSPORTES (CNTT - CUT- BRASIL)
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FORÇA SINDICAL - BRASIL
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PLENARIO INTERSINDICAL DE
TRABAJADORES CONVENÇÃO NACIONAL DE
TRABAJADORES
PIT - CNT (URUGUAI)
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