Tem sido praxe elaborar meu Relatório de Atividades logo no início do mês seguinte. Tenho, evidentemente, baseado-me em minhas anotações de trabalho em uma espécie de caderno-agenda no qual tomo notas de todas as minhas atividades. Entretanto, no dia 03 de março, tive uma surpresa desagradável. Fui FURTADO nessa noite quando saía de uma reunião na ATT (Rua Baronesa de Bela Vista) por volta das 23 horas. Um ladrão armado levou minha mochila com documentos e meu caderno-agenda no interior da mesma. Certamente passei o restante da noite e parte do início do outro dia envolvido com a elaboração de um Boletim de Ocorrência.
Furtado meu caderno, por certo, com ele foram todas as minhas anotações de 16 de novembro até (inclusive) o dia 03 de março. Alguns dados conseguirei recuperar por outras maneiras, anotações e documentos.
Telefone Celular
Tem sido prática constante manter o celular de propriedade do SNA o tempo todo ligado. Assim, todo e qualquer contato necessário da parte dos funcionários da entidade, filiados e não-filiados torna-se viável. Essa ‘ferramenta de trabalho’ tem sido extremamente útil.
Computador
Tanto quando nos próprios do SNA quando em outros locais o uso dessa outra ‘ferramenta’ também tem contribuído para que possa realizar os trabalhos referentes às secretarias nas quais estou lotado: segurança de vôo e relações internacionais.
Atividades na Subsede, Ações Práticas e Segurança de Vôo
Devido às alterações dos cenários da aviação nos últimos tempos parte significativa (diria 90%) da aviação comercial brasileira está localizada em São Paulo. Quase tudo acontece por aqui. E isso, com certeza, demanda a necessidade de diretores do SNA “de plantão” na subsede. Plantões também são necessários no Rio de Janeiro, uma vez que grande parte dos aeronautas mantém residência naquela cidade. Os diretores do SNA Rio atendem essa agenda sem dificuldades. Em SP os diretores que aqui vivem procuram atender essa demanda. Incluo-me. Com o aumento dos desmandos de algumas das empresas do setor aqui localizadas os aeronautas demonstram forte necessidade de informar-se quanto aos seus direitos e deveres. Minha percepção é que grandes empresas – através de seus setores de Escala de Vôo – tem propositalmente confundido seus aeronautas e, com isso, locupletam-se do ‘caos’ que elas próprias provocam. Mesmo oferecendo risco à Segurança de Vôo as mesmas continuam insistindo, por exemplo, em ‘escalar’ tripulantes retornando à base após noites inteiras voando para que os mesmo efetuem ‘bates-e-voltas’ como se seus aeronautas fossem meros robots que não sentem os efeitos da privação de sono, das noites trocadas pelas madrugadas. Terrível. Não descarto a possibilidade que um acidente ocorra – aliás, ninguém descarta essa hipótese, visto que um acidente é sempre inesperado – ou em alta madrugada ou logo no início de um dia exatamente por contra do estresse que tais escalas propiciam. Poderia discorrer páginas e páginas sobre esse e outros temas.
International Federation of Airline Pilots' Association (IFALPA)
No dia 16 de fevereiro embarquei para a Cidade do Panamá (PANAMÁ) onde permanecí até dia 24 em atividades da IFALPA. Nesse período apresentei o mais novo participante da referida federação, a Associação dos Tripulantes da TAM (ATT). Participei também de um seminário de Negociação promovido pela entidade. A ATT além da participar da ASAP (Associations of Star Alliance) estará, a partir desse evento, fazendo parte da IFALPA com um número expressivo de representados: mais de 1400 pilotos. Assim, a IFALPA, dá um salto de qualidade no que diz respeito a representação dos pilotos, não só na esfera nacional (Brasil) mas, principalmente, quanto a America do Sul. SNA e ATT estarão juntos a partir de fevereiro em todos os eventos IFALPA.
RELATÓRIO LEVEMENTE PREJUDICADO por conta do furto acima descrito, porém, o mesmo não deve perder sua essência, uma vez que as ações da SESEV e SERIN devem manter-se sempre 'conectadas' com os interesses da categoria (aeronautas) que nosso sincidicato tem procurado representar. O dia-a-dia da ação sindical envolve não só aquelas atividades de cada diretoria mas, principalmente, o cuidado especial que deve ser dedicado aos interesses desses mesmos aeronautas que, além de colocar os aviões no ar e gerar riquezas para o país e para os 'proprietários' das empresas do setor (na verdade concessionários) mas, também, 'matarem um leão por dia' no que diz respeito à segurança dos vôos e da integridade física e mental de cada um.
Pior que o desrespeito à Lei, é o desrespeito ao Ser Humano
Cada trabalhador da indústria do transporte aéreo e um indivíduo. Ser humano como outro qualquer. Porém, os 'empresários do setor', ansiosos por mais e mais lucro, tem abusado do poder que possuem de 'controlar nossa empregabilidade'. Abusam o tempo todo, principalmente naquilo que vem a ser sagrado para o aeronauta: sua escala mensal. Alterações "por extrema necessidade de serviço" é uma desculpa que a empresas utilizam o tempo todo. Isso, na verdade, nao mascara suas 'incompetências' mas, sim, a forma ardilosa que empregam para utilizar nos limites máximos de produtividade e, com isso, incrementarem fortemente seus lucros. O emprego da 'mão-de-obra' dos aeronautas da forma irracional que tem sido empregada, com madrugadas seguidas e 'perdias' que literalmente arrebentam com tais profissionais irá, paulatinamente empurrando as pedras do grande dominó do acidente aéreo para um alinhamento fatal. Vários eventos foram registrados nesse sentido. Isso remete-me ao entendimento que um acidente está em gestação...! É só uma questão de tempo, uma vez que as condições estão aí, estão presentes. Basta que olhemos as escalas de vôos dos tripulantes das "Aéreas Nacionais". O jSNA recebeu mais de 106 denúncias nos últimos 50 dias. Parte significativa aponta forte desrespeito das empresas para com as escalas de vôos, com constantes alterações, imposições dos 'escaladores' e das mais diversas formas de punição das chefias. A TAM altera as escalas dos tripulantes diariamente. Recebí denúncias que relatam até 6 alterações NO MESMO DIA. Na GOL a prática é outra: utiliza-se de extensão de jornada como se fosse algo comum. É dela o entendimento da expressão "... POR NECESSIDADE DE SERVIÇO" contida no Art.17 da Regulamentação Profissional do Aeronauta (Da Escala de Serviço). É dela porque ela entende que mesmo após ter voado uma noite inteira o aeronauta pode, ao chegar em sua base, prosseguir uma programação ('por necessidade de serviço') para, por exemplo, um bate-e-volta Porto Alegre. Isso tudo após vários 'perdias' mal-dormidos seguidos de madrugadas digamos, 'intensas'. Falta comissário, prin cipalmente na TAM mas, ainda assim, demite-se 'para dar exemplo' uma profissional que armou acidentalmente uma escorregadeira em XXXX. Exemplo? Exemplo devia dar a empresa que tem sido a campeã mundial nesse tipo de incidente. Seria melhor que 'enxergasse-se' por dentro.
Denúncias fortalecem toda a categoria!
O aeronauta (e também o aeroviário) parece que aprendeu o caminho: denunciar mesmo. Os sindicatos recebem as denúncias, encaminham para as autoridades engajadas no sistema do transporte aéreo. Evidentemente que os desdobramentos são, na sua maioría, absolutamente 'reservados'. Um e outro órgão recebem, passam recibo e declaram estar tomando 'as devidas providências'. E acredito até que tomem mesmo...! Porém, a coisa toda gira em volta desi mesma! Não nos chega o que de concreto está sendo feito. Um exemplo! Meses atrás um Boeing cargueiro efetuou uma aproximação em Manaus. Estando aquela localidade sem condição de receber tal aeronave, por condições meteorológicas adversas, o comandante decidiu prosseguir para uma de 'suas' alternativas. OK! Para lá foi, porém, chegou quase caindo por falta de combustivel e com um monte de galho de árvores no trem de pouso, o bordo de ataque da asa direita de 'seu' Boeing todo amassado. Em resumo: chegou porque Deus quis...! O SNA teve sim alguma 'resposta à denúncia' que repassou mas, quero crer que foi por dois fatos: pela consideração pessoal de um dos responsaveis pelo Safety ANAC e por conta do fato ter chegado à mídia. Fora disso, não se iludam: nada ou quase nada nos volta das denúncias que encaminhamos.
Ficaria então no ar uma pergunta: "Reportar então para que?". Porque é importante produzirmos uma BASE DE DADOS do trabalhador através de seus sindicatos e federação. Será essa Base de Dados que demonstrará que estamos cientes de que parte das armas estão em nossas mãos. Peço-lhes, assim, que continuem REPORTANDO. Não só o pessoal das "grandes'; das "miúdas" também.
Alguém poderia perguntar-se: Esse é um Relatório de Atividades ou um Artigo? Eu responderia: ambos. Uma coisa não desvincula-se da outra. Minha atividade depende de como "nosso pessoal" compreende sua realidade. Pretendo continuar mantendo esse modelo. Aceito críticas, porém.
Concluo este relatório com uma frase que, confesso, desconheço o autor:
"O ERRO E AVIOLAÇÃO FAZEM PARTE DA NATUREZA HUMANA. O ERRO DEVE SER ORIENTADO E COMPREENDIDO, PORÉM, A VIOLAÇÃO, ESSA SIM, DEVE SER SEVERAMENTE PUNIDA".







