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Reunião entre sindicalistas e presidente da
VarigLog, na sede da empresa, em São Paulo
Sindicalistas do setor aéreo participaram de
reunião, nesta quarta-feira (28/5), na sede da VarigLog, em São Paulo, para
discutir a reestruturação da companhia. Os trabalhadores saíram frustrados do
encontro com o presidente da empresa, Eduardo Arthur Rodrigues Silva, e o
advogado Sidnei Muneratti, que não apresentaram números ou conseguiram
convencê-los da intenção da aérea em honrar seus compromissos trabalhistas.
Cerca de 270 trabalhadores demitidos
recentemente ainda aguardam a homologação e o pagamento de suas verbas
rescisórias. Há demissões anteriores cuja rescisão ainda não foi quitada. De
acordo com representantes da VarigLog, nesta terça-feira (27/5), a empresa
efetuou depósito referente à multa do fundo de garantia (FGTS) devida a 55
funcionários. Mas parte do depósito do FGTS continua em atraso junto à Caixa
Federal.
"Estamos juntos para tentar encontrar o
melhor caminha para a solução dos problemas da VarigLog", disse Muneratti.
Contudo, segundo ele, não há soluções rápidas para os trabalhadores. Os
trabalhadores demonstravam perplexidade e indignação frente aos argumentos do
advogado. Muneratti tentou negociar com as entidades a homologação das rescisões
em separado, ou seja, uma nova conversa com cada sindicato para encaminhar esse
processo com parcelamento do pagamento das verbas rescisórias. Os sindicalistas
mantiveram a unidade nas negociações e não aceitaram o descumprimento da
legislação.
O representante do Sindicato dos Aeroviários
de Porto Alegre Paulo Rodolfo Pacheco questionou a postura da empresa, lembrando
que as gerências foram orientadas a incentivar a adesão ao PDV (Plano de
Demissão Voluntária), mas em nenhum momento informaram aos interessados que não
seriam pagos, que não havia recursos previstos, que as verbas seriam parceladas.
A VarigLog não está cumprindo a lei, que dá
prazo de dez dias para a empresa homologar a rescisão de funcionários. Para o
presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil
(Fentac/CUT), Celso Klafke, falta à companhia coerência em suas atitudes. "Na
última reunião, a VarigLog defendeu que as demissões eram inevitáveis e informou
quantas seriam. Agora, já diz buscar demitir o menor número possível de
trabalhadores, o que é bom, mas demonstra absoluta falta de clareza nas suas
intenções e nos seus planos futuros", ressalta.
Entre os trabalhadores demitidos, estão mais
de cinqüenta aeronautas nas mesmas condições, ou seja, que foram dispensados e a
empresa até agora não homologou as rescisões ou pagou o que devia. O Sindicato
Nacional dos Aeronautas deve reunir-se com a VarigLog na próxima semana, quando
mais uma vez irá defender o imediato pagamento desses trabalhadores. A
presidente do Sindicato, Graziella Baggio, ressalta que a empresa deve verbas
rescisórias desde dezembro de 2007.
Segundo Klafke, como a companhia não cumpriu
a cláusula 41 da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho), que rege prioridades em
caso de redução de vagas, os sindicatos irão lutar para reverter as demissões já
realizadas daqueles que tiverem interesse em permanecer na VarigLog.
Em Guarulhos, os funcionários elegeram, em
assembléia, uma comissão de colegas para participar dessas negociações. Seus
representantes denunciaram a demissão de uma trabalhadora grávida, de membros da
CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), ambos com direito à
estabilidade, e de funcionários com mais de vinte anos de casa que não tinham
interesse em sair.
Para os sindicalistas, a VarigLog perdeu toda
a credibilidade ao agendar uma reunião, na qual participaram dirigentes de
várias localidades, vazia de propósito. "A companhia chamou os sindicatos para
enrolá-los. Seus representantes dizem uma coisa, a empresa faz outra", afirmou
Klafke. Os sindicalistas exigem a interrupção imediata das demissões, a revisão
das já efetuadas, e o cumprimento integral das CCTs e da legislação vigente,
incluindo pagamento de salários, rescisões, benefícios e FGTS em dia.
Se a VarigLog não aceitar essas condições, os
trabalhadores prometem iniciar greve a partir do dia 6 de junho. Os sindicatos
irão buscar junto aos interventores judiciais da empresa reunião de urgência
para tratar desses assuntos.
Participaram da reunião representantes dos
sindicatos de aeroviários de Guarulhos, Porto Alegre e Pernambuco, e do
Sindicato Nacional dos Aeroviários, ligados à Fentac/CUT, assim como dirigentes
do SAESP (Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo), do SIMARJ
(Sindicato Municipal dos Aeroviários do Rio de Janeiro) e da FNTTA (Federação
Nacional dos Trabalhadores em Transporte Aéreo), ligados à Força Sindical. A
decisão das entidades conta com o apoio do Sindicato Nacional dos Aeronautas
(ligado à Fentac/CUT) e do Sindiamazon.

Fotos: Kalinka Kaminski/Ag. Virya.
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