Na tarde de ontem (15), representantes dos sindicatos dos Aeronautas,
Aeroviários, da FENTAC e da Associação de Tripulantes da TAM (ATT) estiveram
reunidos com a consultora Gwynethy Macleod, da Booz & Company, empresa
contratada pela União Européia (EU) para avaliar os benefícios econômicos
que a abertura do mercado brasileiro (leia-se céus abertos) pode vir a gerar
para a Comunidade Européia (CE).
O estudo proposto pela empresa de consultoria visa avaliar os pontos fortes
e fracos, bem como as oportunidades que o país pode oferecer, já que está
hoje entre os maiores mercados de serviços aéreos para a Europa. Segundo a
consultora, “o Brasil é apontado pela EU como o país mais promissor nesse
setor e o relatório desse estudo irá balizar a entrada da CE nesse mercado
competitivo”. Macleod defende também que no Brasil esse processo seja feito
gradualmente, para que não haja desequilíbrio econômico. Para a UE o setor
de transporte aéreo é considerado estratégico, não devendo ser relegado
apenas às leis de mercado.
Os representantes dos trabalhadores presentes ao encontro se predispuseram a
colaborar com estudo, desde que pudessem compartilhar do processo de
avaliação e tivessem acesso ao relatório final. A consultora não pode
garantir a condição imposta e a reunião, após alguns esclarecimentos, foi
encerrada.
Um estudo paralelo sobre os impactos e “vantagens” da abertura do mercado
brasileiro esta sendo realizado pela Agência Nacional de Aviação Civil, e as
entidades de classe ligadas ao setor tem cobrado maior participação e
transparência neste estudo.
O entendimento dos sindicatos, da Federação e da associação é que a abertura
do mercado aéreo brasileiro, com a construção da política de “céus abertos”,
irá impedir o crescimento das empresas domésticas, principalmente em tempos
de crise mundial.
Para o assessor econômico do SNA (também presente à reunião), Claudio
Toledo, a entrada maciça de companhias estrangeiras (européias e americanas)
irá impedir a expansão brasileira do setor, pondo em risco não só a
soberania nacional, mas principalmente postos de trabalho. “Hoje só temos a
TAM voando Europa, da maneira como vem sendo construída essa política,
corremos o risco de brevemente assistir apenas empresas estrangeiras
operando a rota”, completou Toledo.
Os sindicatos, associações e a federação preparam seminário para discutir a
atuação da categoria no sentido de evitar o avanço estrangeiro sobre o
mercado brasileiro.
Fotos da reunião: