A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realizou, no dia 11 de fevereiro,
audiência pública para debater a alteração da política tarifária nos vôos
internacionais com origem no Brasil. A audiência foi realizada após decisão
liminar da Justiça Federal. A presidente do Sindicato Nacional dos
Aeronautas, Graziella Baggio, e os dirigentes sindicais Sérgio Dias,
Henrique Junior, Osvaldo Rodrigues e Paulo Rodolfo Pacheco, o economista
Cláudio Toledo representaram os sindicatos cutistas e a Fentac/CUT no
debate. O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA), que é contra a
medida nos moldes propostos pela Anac e entrou na Justiça sobre o tema,
também esteve representado.
Para Graziella Baggio, a audiência não atingiu o objetivo ao não promover um
debate sobre a matéria. Segundo a dirigente, a mesa coordenadora não
permitiu a troca de opiniões, empregando um critério de participação
extremamente restritivo. Nenhum dos presentes vinculados ao setor aéreo teve
suas reivindicações respondidas, afirma. “O tempo de participação foi
exíguo, houve arrogância, a audiência não teve efeito algum”.
A promoção da liberdade de mercado é uma determinação da resolução 007/2007
do Conselho Nacional de Aviação (Conac). No item 1.3 da norma, é expresso
que “a operação internacional de empresas aéreas brasileiras é considerada
instrumento de projeção econômica e comercial de importância política e
estratégica para o País e para a integração regional, devendo ter tratamento
fiscal, tributário e creditício semelhante ao das atividades de exportação e
de infra-estrutura”.
Agora, sob o argumento de dar resposta a esta resolução, a Anac tenta
acelerar o processo de liberação das tarifas nos vôos internacionais com
origem no país sem levar em conta as fragilidades e os investimentos das
companhias brasileiras neste mercado, ou mesmo a crise internacional e as
medidas protecionistas tomadas por outros países para evitar seu
acirramento. Todavia, o item 1.3 da norma que deveria anteceder a liberação
de tarifas ainda não foi objeto de ação do governo e tampouco está no escopo
da Agência, como ela mesma admite.
Por isso, para Graziella Baggio, a ação da Anac em relação a este tema é
desrespeitosa com a legislação e motivada por razões ainda desconhecidas
pela população, que vem sendo enganada por um discurso desonesto. “A Anac
está na contramão das ações tomadas pelos demais países do mundo em meio à
crise. Por exemplo: não há nenhum acordo para que empresas estrangeiras
contratem brasileiros em suas operações”, explica.
A maioria esmagadora das empresas aéreas internacionais que voam para o
Brasil não emprega brasileiros. Um fato recente dá uma idéia dos reflexos de
uma decisão dessas no mercado de trabalho do setor. No ano passado, mais de
1,5 mil trabalhadores foram demitidos quando a Gol/Varig decidiu suspender
seus quatro vôos internacionais. Afirma Graziella. “A liberação tarifaria é
um passo sem volta para uma política de céus abertos, em um momento nada
oportuno”, afirma.
FENTAC e
Sindicato Nacional dos Aeronautas
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