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O Supremo Tribunal Federal suspendeu a decretação de falência da Transbrasil. A empresa estava impedida de voar
desde 2002, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo, a pedido de um dos
credores da empresa, a General Eletric Corporation (GE), decretou a falência da empresa e sua execução. Mas
segundo o ministro do STF, Eros Grau, houve falhas no processo.
Em seu parecer, ele afirma que “o
processo não contém provas necessárias para embasar a decisão do TJ-SP”
e que “foram desprezadas as garantias constitucionais (...) de ampla defesa e
do contraditório”. Na época, os advogados da companhia aérea apresentaram
comprovantes de pagamento de uma suposta dívida de R$ 2,7 milhões, mas,
mesmo assim, a falência foi determinada. Vale lembrar que a legislação
brasileira não permite que companhias aéreas, que são concessionárias de serviço
público federal, sejam alvo de pedido de falência por dívida. É
necessário, primeiro, a intervenção federal.
Agora, a decisão do ministro será
apreciada pelo pleno do STF, provavelmente em março. Para o diretor do
De partamento Jurídico do SNA, Antônio Marcelo Bona, o entendimento de Eros
Grau deverá ser ratificado. “É evidente o erro cometido pelo Tribunal de
São Paulo, acho muito difícil o STF mudar a decisão”. Se for confirmada a suspensão da
falência, a Transbrasil poderá trabalhar para reaver o certificado de habilitação
do Departamento de Aviação Civil e regularizar sua situação no INSS,
exigências para voltar a operar.
Má fé
A suposta dívida de R$ 2,7 milhões não é a única contradição no processo judicial que paralisou
a Transbrasil. Dois engenheiros da empresa acusam a GE de coação e má-fé por terem tentado
convencer a companhia aérea a declarar uma de suas aeronaves como irrecuperável – a GE
receberia do seguro cerca de U$ 35 milhões. O pedido de falência seria,
portanto, uma retaliação.
“O fato aponta uma necessidade imensa, e que é uma proposta nossa, de o governo participar
ativamente das negociações em nível institucional”, afirma Graziella Baggio, presidente do SNA. “É um setor
estratégico, de soberania, que exige a participação do Estado para
acompanhar as discussões e impedir que as empresas fiquem vulneráveis a pressões dessa natureza”.
O SNA
tem ações trabalhistas contra a Transbrasil – quase cinco mil empregados, entre aeronautas e
aeroviários, pleiteiam indenizações. Duas aeronaves devem ir a leilão em breve para pagar os
salários dos últimos seis meses de funcionamento da companhia aérea. Segundo Graziella, a
realidade financeira das companhias aéreas no País é conseqüência de dez anos de ausência de
uma política para o setor. “Precisamos de um marco regulatório e regras mais claras; nossa
expectativa é que o governo dê prioridade para esses assuntos,
independente dos débitos que as empresas têm com a União”, afirma.
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Arquivo
SNA

Um dos protestos do SNA pelo direito dos
trabalhadores da Transbrasil |
O SNA atuou de forma estratégica nas negociações com os órgãos governamentais sobre a Transbrasil: a Secretaria de Previdência Complementar afastou a possibilidade de efetuar descontos nos benefícios previdenciários dos funcionários da empresa. |
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O conflito foi gerado porque a companhia vinha descontando dos empregados, mas não repassava o dinheiro para o Aerus. A proposta inicial era de redução dos benefícios, mas o SNA não concordou. O Aerus deve continuar parceiro da Transbrasil e a empresa deve ganhar um prazo de 90 dias para compor sua dívida com o fundo de pensão, que gira em torno de R$ 147 milhões. |
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