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Após muitos tropeços, dívidas e
paralizações, a companhia deixa de voar
por tempo indeterminado
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Arquivo SNA

SNA alertou o governo inúmeras vezes
sobre a péssima situação da Vasp |
Intervenção federal na Vasp: é o
que defende o SNA para evitar que cerca de milhares de funcionários fiquem sem trabalho.
Para o Sindicato, a decisão do Departamento de Aviação Civil (DAC) de suspender os vôos da companhia não
resolve o problema. “O governo deve dar o mesmo tratamento que for oferecer à Varig ou aplicar o Código
Brasileiro de Aeronáutica e intervir na empresa”, propõe os dirigentes do SNA. O artigo 188 do Código e seus parágrafos
preveem a intervenção “nas empresas concessionárias ou autorizadas, cuja
situação operacional, financeira ou econômica ameace a continuidade dos serviços, a eficiência ou a segurança do
transporte aéreo”.
Para o SNA, com a intervenção o
governo afastaria os dirigentes da Vasp e poderia realizar uma devassa na contabilidade da companhia. Hoje a situação da empresa é uma caixa preta. Porém, o governo
prefere não usar de suas prerrogativas ao não observar artigos que preveem auditorias e perícias técnicas constantes. “O governo já sabia há vários anos das condições de
operações da Vasp, mas só tomou uma atitude agora e mesmo assim é algo que não resolve a crise financeira”, critica o diretor de
Comunicação do SNA, Aguinaldo Souza.
Desde o final de dezembro os
trabalhadores aguardam uma audiência com o vice-presidente e ministro da Defesa,
José de Alencar, para tratar do assunto. Mas até agora não obtiveram resposta.
Os aeronautas querem cobrar do governo uma posição mais rápida para evitar
que se repita o caso da Transbrasil, que deixou vários desempregados que
brigam até hoje na Justiça para receber seus direitos trabalhistas.
A Vasp deve os salários a partir de outubro, horas-extras, parte do 13º e
continua retendo pensões alimentícias dos trabalhadores. Sem falar no Programa de Demissão Voluntária (PDV), acertado após a greve de setembro, que não foi em frente. Além disso, a empresa mantém 400 funcionários em licença sem
remuneração desde outubro passado. Uma atitude que só mostra a total falta de
respeito da Vasp com os trabalhadores.
Débitos
Esse comportamento da Vasp com os trabalhadores foi demonstrado mais uma vez no dia 24 de janeiro, na 2ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho em Brasília. A companhia não compareceu à audiência e nem mandou representante. A juíza
Marta Franco de Azevedo, porém, avisou que a sentença judicial sairá no dia 3 de fevereiro à revelia da empresa.
Na ação, o SNA pede o
cumprimento do acordo coletivo de trabalho celebrado em 29 de setembro de 2004, o pagamento de salários, diárias, férias atrasadas, 13º salário e a aplicação de multa por esses atrasos.
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Os
aeronautas da Vasp estão paralisados desde o dia 27 de janeiro. No
14 de fevereiro, eles fizeram uma manifestação no Aeroporto de
Congonhas (SP) para chamar a atenção da opinião pública e do
governo paulista, que apesar de ser acionista minoritário da
empresa, tem sido omisso na questão. Os trabalhadores querem
também que o governo federal volte atrás na liquidação do Aerus. |
De acordo com Graziella, esse
passivo dos trabalhadores com a empresa pode chegar a cerca de 25 salários. Isso porque desde 2000 os funcionários deixaram de receber de 30% a 35% dos seus proventos referentes a hora extra, adicional noturno e vôos aos
domingos.
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