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nº 506 - Fevereiro/Março 2005

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Notícias de Brasília

 

JUSTIÇA ACATA AÇÃO DO

SNA

E DECRETA A 

INTERVENÇÃO

NA VASP

A Justiça mostrou que o SNA estava certo na questão da Vasp. O juiz do Trabalho Lúcio Pereira de Souza, da 14ª Vara do Trabalho de São Paulo, concedeu nesta quinta-feira, dia 10 de março, liminar determinando intervenção na companhia e afastamento de toda a diretoria. A liminar foi concedida em Ação Civil Pública do SNA, do Ministério Público do Trabalho e do Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo. A intervenção tem o objetivo de garantir o pagamento dos salários atrasados e do passivo trabalhista, que já chega a R$ 75 milhões.

O juiz nomeou como interventora a União Federal, por meio do Departamento de Aviação Civil (DAC), que terá cinco dias para indicar o nome do interventor. Também será formada uma comissão de trabalhadores, composta de quatro membros dos sindicatos que assinam a ação. A comissão deverá auxiliar o interventor no mapeamento da situação empresarial e na busca de alternativas para a negociação dos créditos trabalhistas.

Apreensão de documentos

Para garantir o acesso a todos os atos administrativos da empresa, a liminar autoriza a busca e apreensão de todos objetos, documentos, papéis de qualquer natureza, livros comerciais, computadores e arquivos magnéticos relacionados aos fatos da ação civil pública, inclusive com arrombamento de portas, móveis e cofres, no caso de resistência.

Além disso, estão indisponíveis todos os bens, móveis e imóveis, veículos e ativos, em nome de Wagner Canhedo Azevedo, Wagner Canhedo Azevedo Filho, César Canhedo de Azevedo, Izaura Canhedo de Azevedo, Transportadora Wadel Ltda, Expresso Brasília Ltda e Voe Canhedo S.A.

A intervenção na Vasp foi sempre defendida pelo SNA por ser a melhor solução para regularizar o passivo trabalhista da empresa e tentar reerguer a companhia. Mas o governo federal recusou a proposta deixando os trabalhadores na mão da Justiça. "Foi necessária a intervenção do Ministério Público do Trabalho para mostrar que o sindicato sempre esteve na linha certa. Agora estamos confiantes em um desfecho positivo para a categoria", diz a presidente do SNA, Graziella Baggio.

RESOLUÇÕES DO

CONAC

CONTINUAM ENGAVETADAS

Mais uma companhia aérea suspendeu suas operações. Segundo a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Graziella Baggio, a responsabilidade maior é da incompetência administrativa da direção da empresa e da falta de políticas adequadas para o setor. Mas há outra causa: o desinteresse do governo federal em promover um setor aéreo forte e competitivo. “Apenas uma resolução do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) saiu do papel, desde outubro de 2003”, afirma a sindicalista.

Ela considera que, se todas as 17 resoluções estivessem em vigor, o cenário da aviação civil seria outro. “As empresas poderiam ter mais condições de competitividade. No entanto, esse não é o interesse do governo”. Ela chegou a essa constatação na reunião que teve, em Brasília, no dia 17 de fevereiro, com o vice-presidente e ministro da Defesa, José de Alencar, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno.

De acordo com Graziella, o comandante Bueno fez pouco caso das resoluções. Admitiu até desconhecer o texto, embora, tenha participado da reunião do Conac que aprovou as medidas. Já o ministro da Defesa alegou que, pelo pouco tempo no cargo, ainda não sabe como está o processo para a implantação das resoluções. “É lamentável a postura do governo com a aviação civil”, protesta Graziella.

Resolução em vigor

A única resolução do Conac que saiu do papel foi a que trata da oferta e das tarifas. A medida diz que o “DAC deverá acompanhar o comportamento do mercado, visando ao atendimento regular da demanda e ao estímulo à eficiência econômica”. O assessor econômico do SNA, Cláudio Toledo, explica que o DAC baixou uma portaria aplicando a resolução. “O único problema é que foi uma portaria, que a qualquer momento pode cair”, adverte.

Mesmo assim, ele avalia que a medida foi importante, pois evitou o excesso de oferta e a tarifa predatória. A resolução já foi aplicada, no caso da superpromoção da GOL para a venda de passagens aéreas. O preço era tentador: R$ 50 o bilhete para qualquer parte do País. Usando a Resolução nº 2, o DAC proibiu a companhia de praticar esse valor, alegando que os preços estavam abaixo do custo, prejudicando a concorrência no mercado.

A regulação no mercado pára por aí. Fica à espera da boa vontade do governo, da definição de novas regras para os tributos e o valor dos combustíveis pagos pelas companhias aéreas. “O transporte aéreo seria mais democratizado se o governo aplicasse as resoluções”, ressalta Toledo.

Caravana a Brasília

Caminha na mesma direção a proposta de criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que deverá assumir parte das funções do DAC. A proposta está parada na Câmara dos Deputados. Para acelerar a tramitação do projeto, o SNA pretende organizar uma caravana até o Congresso Nacional. “A agência é uma instituição que vai dar mais credibilidade para o setor e atrair investimentos.

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