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O
professor Elones Fernando Ribeiro da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) dirige o único curso cinco
estrelas em Ciências Aeronáuticas que existe no País. Nesta
entrevista exclusiva ao Dia a Dia, o acadêmico fala da proposta do
curso e do mercado de trabalho brasileiro. Ele faz considerações
sobre a conjuntura atual do setor aéreo e avalia o papel
desempenhado pelo SNA na gestão da crise das companhias aéreas.
Qual
proposta e o conteúdo do curso?
Os
alunos recebem uma formação sólida em disciplinas como segurança
de vôo, estrutura e manutenção de aeronaves, medicina
aeroespacial e instrução de vôo. A teoria é sempre aliada à
prática por meio do Cockpit Procedure Trainer e de dois Mock Ups de
aeronaves a jato, para simulação dos procedimentos específicos e
visualização dos sistemas. O curso conta também com uma Estação
Meteorológica de Rastreamento de Imagens Via Satélite, um Túnel
de Vento para a realização de experiências aerodinâmicas, além
de diversos instrumentos de aeronaves. A grade curricular e o
programa das disciplinas foram estabelecidos com base no perfil
proposto por noventa profissionais técnicos do Instituto de
Aviação Civil (IAC) do Ministério da Aeronáutica.
Como
foi criado o curso de Ciências Aeronáuticas?
O
curso é pioneiro na América do Sul e foi criado, em 1993,
mediante convênio de intercâmbio e cooperação
científica realizado entre a PUC/RS e a Varig. A iniciativa
partiu da empresa, em função da necessidade de preparar
seus profissionais para os desafios da globalização e do
constante avanço da tecnologia aeronáutica.
Qual
é o perfil dos alunos?
Temos
30 alunos, em média, que conseguem reunir os pré-requisitos
e podem cobrir os custos. Há poucas mulheres formadas, mas
este número tende a crescer. Antes o aluno queria entrar aqui
exclusivamente para ser piloto da Varig. Felizmente essa
mentalidade mudou e o mercado está se expandindo.
Qual
é o destino profissional desses alunos?
O
foco central é o mercado: linha aérea; aviação executiva;
aviação geral, aviação agrícola e instrução de vôo.
Há também os que se interessam por investigação
aeronáutica. O perfil do profissional a ser formado considera
os aspectos legais e parte de uma projeção das atribuições
necessárias ao piloto capaz de operar qualquer tecnologia.
Além
da Varig, existem convênios com outras empresas aéreas?
Apesar
do papel decisivo da Varig para a implantação do curso, a
empresa, desde 2003, não tem mais a prioridade de contratar
nossos formandos. A própria Varig, que criou o curso, o
denunciou, na gestão do coronel Osíris. Assim, não estamos
mais engessados à companhia e nossos ex-alunos estão
trabalhando como instrutores de aeroclubes e pilotos de
diversas empresas. A GOL e a TAM têm mostrado interesse
crescente nos nossos alunos.
Como
o senhor avalia o trabalho do SNA em favor da categoria dos
aeronautas?
Acredito
que o SNA seja a voz ativa do aeronauta. É fundamental que a
entidade tenha influência política, como no caso do ministro
José Alencar, que tem recebido a presidente Graziella Baggio
em todos os momentos importantes para a categoria.
Gostaríamos de manter e estreitar nossos laços com o
sindicato.
Como
o senhor avalia a situação da aviação civil do País?
Como
o setor depende muito da economia e o País dá sinais de
recuperação, a aviação civil deve colher bons frutos,
ainda este ano, inclusive pela criação da Anac.
Qual
a receita para ser um bom aeronauta?
Quem
quer seguir a carreira aeronáutica precisa ter uma reserva
econômica. É uma carreira elitista, onde os custos são
elevados e a dedicação nem sempre permite que o aluno
trabalhe para seu sustento enquanto está se formando. Mas
considero disciplina, estudo, treinamento e aperfeiçoamento
constantes, sangue frio, cordialidade, disponibilidade e
persistência e uma boa dose de talento como características
essenciais.
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