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nº 507 - Março/Abril 2005

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LEONARDO BELO, EX-FUNCIONÁRIO DA TRANSBRASIL

EX-FUNCIONÁRIOS DA TRANSBRASIL

AINDA VIVEM O DRAMA DO DESEMPREGO

Leonardo Belo é hoje uma pessoa que vive da ajuda de amigos e de parentes em Brasília, onde mora. Ele também precisa tomar remédios para dormir e esquecer que tem dívidas a pagar. Sua rotina diária é entregar currículos em empresas, na esperança de sair da lista de desempregados, um fantasma que o assombra há quatro anos. É dessa forma que ele leva a vida depois que a Transbrasil fechou as portas, no dia 3 dezembro de 2001.

O aeronauta faz parte da extensa lista de 1.200 funcionários que foram demitidos da empresa e que até hoje não receberam um centavo dos direitos trabalhistas. O seu passivo trabalhista não é nada invejável: seis meses de salários atrasados, férias, 13º, horas-extras, diárias, FGTS e rescisão contratual. A esperança de receber a dívida foi depositada na Justiça, mas os advogados da empresa sempre encontram brecha na lei para recorrer, quando perdem uma ação.

“É lamentável a vida que levo hoje. Dediquei 13 anos da minha vida à empresa e agora vivo de favor dos outros”, conta Leonardo que era comissário de vôo na Transbrasil. Divorciado, não consegue ocupação nas outras companhias aéreas devido à idade. Ele tem 39 anos e as empresas só contratam funcionários com, no máximo, 35 anos. Como se especializou em uma carreira, também não consegue emprego em outras áreas.

Verbas rescisórias

Foto: Mauro Burlamach

 

Na mesma situação está Marcelo Ferreira Santos, 35 anos, solteiro, também de Brasília. Trabalhou durante sete anos na Transbrasil como comissário de bordo e foi demitido sem receber qualquer tipo de indenização.
Ele aposta na Justiça para a empresa pagar tudo que lhe deve. “Entrei na empresa com o sonho de fazer carreira na profissão. Agora levo uma vida de desempregado há quatro anos”.

Ele avalia que a dificuldade do aeronauta de conseguir emprego em outra área é justamente devido à especialização da atividade. “Como temos uma profissão atípica, com jornada de trabalho diferenciada e por escala, é difícil fazer cursos ou atividades em outras áreas”, justifica. A sua esperança é que a empresa volte a decolar e que consiga trabalhar.

Enquanto os ex-funcionários da Transbrasil vivem um verdadeiro inferno astral prolongado, o ex-presidente da empresa, Antonio Celso Cipriani, recebeu uma pena branda da Justiça. O empresário foi condenado a 2 anos e 4 meses de prisão, por crime de apropriação indébita da contribuição previdenciária dos empregados nos meses de março, abril e junho de 2000 e outubro de 2001. Segundo a Procuradoria da República, Cipriani teria deixado de repassar R$ 10,2 milhões ao INSS.

Foto: AsCom-CD

CPI do Banestado discute a evasão
de recursos para o exterior

A sentença foi proferida pelo juiz Alexandre Cassetari, da 4ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo. Cipriani, porém, está recorrendo da decisão em liberdade. Além disso, se perder o recurso, ele não vai para a cadeira, pois é réu primário e foi beneficiado com a conversão da punição em prestação de serviços comunitários em repartição pública ou privada a ser definida pela Vara de Execuções Penais.

Na CPI do Banestado, Cipriani conseguiu tirar seu nome da lista das pessoas que serão indiciadas pela remessa ilegal de US$ 30 bilhões para o exterior. A CPI foi criada há 18 meses para investigar a evasão ilegal de divisas para o exterior durante o período de 1996 a 2003 por meio de contas CC-5. As contas foram criadas pelo Banco Central para viabilizar a remessa legal de dinheiro. Os parlamentares investigaram como os fraudadores conseguiram driblar a lei para enviar o dinheiro para paraísos fiscais. O empresário da Transbrasil, que hoje mora nos Estados Unidos, foi um dos investigados e conseguiu, por enquanto, se safar.

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