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nº 508 - Maio 2005

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O Departamento de Aviação Civil (DAC) pode conceder autorização para três novas empresas ingressarem no seleto clube da aviação comercial brasileira. A Webjet e a BRA querem disputar o mercado dos vôos regulares, enquanto a agência de turismo CVC pretende criar a empresa Samba Brasil e operar vôos charter no País. O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) avalia que a criação de novas empresas pode criar novos postos de trabalho e reaproveitar profissionais experientes de companhias paralisadas, como a Transbrasil e a Vasp.

O consultor econômico do SNA, Cláudio Toledo, lembra que a convenção coletiva dos aeronautas estabelece o compromisso de as novas empresas darem preferência aos profissionais indicados pelo sindicato. A indicação levaria em conta os requisitos necessários, como qualificação e experiência no setor. “É complicado fazer cumprir essa cláusula, no entanto o sindicato tem trabalhado para aumentar o diálogo com essas empresas”, explica Toledo. O consultor assinala que as companhias novatas têm interesse em contratar profissionais experientes, pois isso reduz os gastos com treinamento.

Cláudio Toledo afirma ainda que a quantidade de postos de trabalho a serem criados depende da malha aérea que as novas companhias deverão atender. Procurados pela reportagem do Dia a Dia, a BRA, que já opera com vôos charter, e a CVC preferiram não divulgar a quantidade de linhas que pretendem operar.

Samba Brasil

Já a Webjet informou que pretende entrar no mercado com dois Boeings 737-300 e cerca de 100 funcionários, entre comissários de vôo, pilotos e pessoal de terra. Com sede no aeroporto de Jacarepaguá, a nova companhia aérea vai oferecer vôos diários interligando São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre. A companhia já possui uma página na Internet (www.webjet.com.br) para informar os futuros clientes sobre as rotas que serão atendidas. O secretário-geral da SNA, Gelson Fochesato, alerta para o risco de queda na qualidade do emprego no setor aéreo. 

Segundo ele, as empresas têm optado por pagar salários-base menores e, em contrapartida, aumentar a remuneração das horas de vôo. “O objetivo é estimular a produtividade, mas isso pode reduzir de forma prejudicial o descanso dos trabalhadores”, ressalta o sindicalista.

Regras do DAC

O DAC informou, por meio da assessoria de imprensa, que os processos de constituição da BRA e da Webjet estão em fase de adaptação técnica. Isso significa que essas empresas estão passando por vistoria e inspeções do próprio DAC, que observa, principalmente, os pré-requisitos de segurança de vôo.

 A Samba Brasil ainda busca a adequação jurídica, que tem validade de 12 meses podendo ser renovada caso a empresa não consiga cumprir o requisitos técnicos no prazo de um ano.

Fila de espera

O órgão regulador lembra ainda que não há prazos definidos para o cumprimento dessas etapas. O tempo necessário para a aprovação dos pedidos depende do cumprimento das exigências legais. Além dos citados, atualmente, o DAC analisa os processos de constituição das seguintes empresas: Aeropostal Brasil (operação regular de carga e mala postal); Air Minas e Sete Linhas Aéreas (vôos regulares de passageiros, carga e mala postal); Globex e Jet Sul (vôos charter de carga e mala postal) e Capital (vôos charter de passageiros).

 

O SNA pretende desenvolver uma campanha na categoria para valorizar a regulamentação profissional dos aeronautas. “A proposta é elaborar uma cartilha para respaldar os aeronautas”, revela João Pedro, comissário de vôo da Varig e secretário de Relações Sindicais e Associações Profissionais e secretário extraordinário de Comissários do SNA.

Segundo João Pedro, a cartilha será um meio para conscientizar os aeronautas sobre a  importância da regulamentação profissional. Ela vai servir para os trabalhadores conferirem se as decisões e demandas das empresas estão de acordo com a Lei nº 7.183, de 5 de abril de 1984, que regulamenta o exercício da profissão do grupo de vôo.

Participação da categoria

O SNA pretende contar com a participação de todos os sindicalizados para

produzir a cartilha. “É fundamental que os aeronautas enviem suas dúvidas

para o sindicato”, afirma João Pedro. As contribuições podem ser enviadas a

partir de 1º de maio Dia do Trabalhador para o e-mail

joaopedrosna@yahoo.com.br.

O lançamento da cartilha está previsto para o terceiro trimestre deste ano. A

distribuição será gratuita e todos aeronautas poderão adquirir um exemplar no

balcão do SNA do Aeroporto do Galeão e nas sedes do sindicato no Rio

de Janeiro e em São Paulo. “É importante que todo aeronauta

cumpra e exija o cumprimento da nossa regulamentação

profissional”, conclui João Pedro.

 

  João Pedro, Ssecretário de Relações Sindicais e Associações Classistas do SNA 

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