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O pedido de recuperação judicial da Varig foi uma medida
precipitada do Conselho de Administração. Em vez de discutir o assunto com os trabalhadores, os conselheiros preferiram apelar para a Justiça. A melhor alternativa seria continuar
as negociações com o governo e avançar mais nas discussões com os grupos interessados na
Varig.
A iniciativa criou um fato consumado e, agora, temos de aguardar o plano de reestruturação da companhia aérea, que deverá ser apresentado nos próximos 60 dias aos credores, conforme determina a nova Lei de Falências. No entanto, o SNA vai continuar buscando soluções para garantir os empregos e evitar que mais uma companhia aérea feche as portas,
a exemplo da Transbrasil e da Vasp.
O tempo é curto para muito trabalho.
Por isso, o SNA decidiu que vai participar diretamente do processo de negociação com todos os interessados na Varig. O processo de recuperação judicial
é, sem dúvida alguma, um fator de insegurança para os investidores, mas o sindicato não pode e não vai esperar a proposta da Varig de braços
cruzados.
A Direção Sindical também está articulando
com outros sindicatos cutistas a indicação de trabalhadores para participar do Comitê de Credores, previsto na nova Lei de Falências. Os trabalhadores têm direito a indicar três nomes, sendo um titular e dois suplentes. O comitê é responsável, entre outras atribuições, pela fiscalização da gestão do devedor. O SNA está convicto de que o governo
ainda tem um papel central na administração da crise e não pode fugir de suas obrigações.
A União propôs, até o momento, somente uma solução de mercado
para a Varig, posição que consideramos equivocada, já que as empresas e os órgãos públicos federais são credores de 60% das dívidas da empresa. É por essa razão que vamos continuar cobrando uma postura de maior responsabilidade política e social do ministro da
Defesa.
Para a aviação civil sair da crise, é preciso que o governo supere a omissão
e implemente, de imediato, as resoluções do Conac, que desde 2003 estão engavetadas. Essa providência pode contribuir de maneira decisiva para fortalecer o setor aéreo nacional e tirar as empresas do sufoco financeiro
que estão atravessando.
Varig, Rio Sul e Nordeste não podem fechar. O grupo emprega hoje 17 mil pessoas, diretamente, e 100 mil ,indiretamente. É uma empresa respeitada
internacionalmente e faz parte da história da aviação brasileira. Vamos lutar com todas as nossas forças para a companhia continuar
voando.
No fechamento desta edição, tomou-se conhecimento que o interventor apresenta ao juizado de São Paulo pedido de recuperação judicial da empresa Vasp.
Direção
Sindical
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