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As manobras do acionista majoritário da Vasp para fugir de suas obrigações e burlar a Justiça não param. Enquanto milhares de trabalhadores esperam há oito meses o pagamento de salários, férias, rescisões trabalhistas, o acionista encontrou uma forma de driblar a intervenção federal na companhia aérea. Foram encontradas
peças da empresa que estavam escondidas e faziam parte do relatório parcial do
interventor.
O golpe não deu certo porque a Comissão que acompanha a intervenção
da Vasp conseguiu descobrir a armação no dia 21 de junho e denunciou o caso à polícia. “Não bastasse
o prejuízo que deixou na empresa, estamos nos deparando com o desvio de bens e peças”, protesta Graziella Baggio, presidente do
SNA.
O galpão encontrado ficava na altura
do quilômetro 18 da Rodovia Anchieta, em São Bernardo, no ABC paulista. No local, foram encontradas peças como motores e turbinas. O fato foi amplamente divulgado pela imprensa
nacional.
Bloqueio de
bens
Desde o dia 7 de junho, os ativos financeiros da Vasp estão bloqueados por determinação do juiz Homero
Batista Mateus da Silva, da 14ª Vara do Trabalho de São Paulo. Ele também penhorou os móveis, bens imóveis e os créditos da empresa e de seus controladores,
até o limite de R$ 75 milhões. O valor serve como garantia de pagamento das dívidas trabalhistas da
Vasp.
A decisão foi tomada pelo fato de o empresário ter descumprido acordo
firmado em 27 de maio, na Justiça do Trabalho, com os representantes do Ministério Público do Trabalho, do Sindicato Nacional dos Aeronautas e do Sindicato dos Aeroviários no Estado
de São Paulo.
O acordo previa que a Vasp deveria apresentar, até 31 de maio, uma carta de fiança bancária no valor de R$ 40 milhões. A empresa também teria de quitar a folha de pagamento e as dívidas previdenciárias e fiscais até 3 de junho. Como o empresário não cumpriu com a palavra, os promotores
pediram a execução provisória dos bens.
Centralização das ações
Para facilitar o julgamento de todas as ações trabalhistas ajuizadas contra
a Vasp na Grande São Paulo e na Baixada Santista, o Ministério Público e o SNA conseguiram centralizar todos os processos na 14ª Vara do Trabalho de São Paulo. A solicitação foi atendida pela presidente do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), Dora Vaz Treviño.
A juíza também determinou a formação de um grupo de conciliadores composto por juízes trabalhistas aposentados,
para auxiliar a análise dos processos. A baixa na carteira de trabalho e a liberação de Seguro Desemprego e do FGTS terão prioridade.
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O ministro da Defesa e vice-presidente da República, José Alencar, completou oito meses
no cargo em 28 de junho. Durante esse período, ele manteve o canal aberto com os dirigentes sindicais para discutir a crise no setor aéreo. No entanto,
muito pouco foi feito para implementar as resoluções do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), engavetadas desde outubro de 2003, e avançar na criação da Agência Nacional de Aviação Civil
(Anac).
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Wilson Dias/ABr

Ministro José Alencar:
oito meses à frente do
Ministério da Defesa
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A avaliação é feita pela direção do SNA, que considera fundamental o governo
colocar em prática as resoluções para que o setor aéreo possa recuperar o terreno perdido. A dirigente também denuncia a omissão do governo federal frente à crise da Varig. “A chamada ‘solução
de mercado’ que o Ministério da Defesa adotou pode provocar a falência
da Varig”, adverte.
Recorde
macabro
Graziella Baggio reconhece que o ministro “tem trabalhado muito”, mas não está contribuindo para tirar o governo da posição de letargia que adotou perante o problema da Varig. Ela também não compreende porque o ministro ainda não tomou a decisão
política de tirar as resoluções do Conac da gaveta. Ela lembra que, caso a Varig venha a encerrar suas atividades, o governo Lula pode entrar para a história como o governo que assistiu ao fechamento
de duas companhias aéreas.
A dirigente também chama a atenção
para o fato de o governo não ter investido no projeto que cria a
Anac. A proposta está parada no Senado desde setembro de 2004. Contudo, o relator do projeto, senador Delcídio Amaral (PT/MS), não responsabiliza o Ministério
da Defesa pela falta de empenho para a criação do novo órgão de regulamentação
da aviação civil. “O ministro é um homem de bem, empenhado. Não tenho dúvida de que vai ajudar a encontrar
uma solução aprovar a Anac”.
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