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nº 509 - Junho/Julho 2005

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O Brasil recebeu mais de 30 países para discutir a Segurança de Vôo na Aviação Civil Internacional. Os encontros de pilotos foram promovidos pelo SNA, entre 20 e 24 de junho, no Rio de Janeiro, em parceria com a Federação Internacional de Associações de Pilotos de Linhas Aéreas (Ifalpa).

Os debates ocorreram em dois comitês técnico-profissionais: o Security, que trata, entre outros assuntos, de segurança patrimonial nos aeroportos e atos ilícitos em aviação, e o Human Performance, que discute a influência do fator humano nas operações aéreas. A Boeing Company mostra que essa influência, hoje, é de 56% nos acidentes aéreos.

Esses comitês discutem propostas de melhoria para a segurança das operações aéreas, sob o foco dos pilotos, e encaminham sugestões à International Civil Aviation Administration (ICAO), órgão regulador da aviação civil internacional, que congrega 188 países. A intenção é incluí-las nos Anexos da ICAO. Segundo o coordenador do evento e membro das Secretarias de Segurança de Vôo e de Relações Internacionais do SNA, Célio Eugênio, a iniciativa é importante para inserir o Brasil nas principais discussões sobre os temas.

Losa & TEM Workshop

O SNA também organizou, no dia 23, o International Losa & TEM Workshop. O Programa Losa (Line Operations Safety Audit), tema principal do evento, é uma ferramenta de segurança que prevê observações em linha de vôo, durante operações cotidianas. Isto é feito por observadores treinados, que coletam dados para identificar ameaças que possam induzir os pilotos a erros.

O Losa baseia-se no modelo de treinamento gerencial intitulado TEM (Threat and Error Management), desenvolvido na Universidade do Texas, para orientar os pilotos a buscar ações de gerenciamento mais adequadas para fazer frente à complexidade existente na atividade aérea. Os dados coletados apontam tendências que identificam pontos fortes e fracos no padrão operacional das empresas aéreas e do sistema de aviação

O evento contou com o apoio da ICAO, do DAC, do Colégio de Pilotos Aviadores da Espanha (Copac) e com o patrocínio da Varig, Variglog, VEM, TAM, Ifalpa e da Boeing Company, além de 120 profissionais do setor aéreo.

Cultura Justa

Os atuais programas de segurança aérea exigem comprometimento com uma nova cultura de segurança de vôo, conhecida como Cultura Justa. Nela, a não punitividade, a confidencialidade e a voluntariedade são destaques, pois sua base está em ações espontâneas para o aprimoramento da segurança. Célio Eugênio atribui o sucesso do Losa ao compromisso com regras claras entre empresas e pilotos. “A assinatura de um protocolo de princípios entre o SNA e as empresas torna-se primordial para mostrar a clara vontade das partes em respeitar essas regras e valores”, ressalta.

No Brasil, a Varig é a pioneira na implantação do Losa, com o Programa de Observações em Linha (Prol). Além dela, outras companhias aéreas brasileiras, que participaram do workshop, estão prestes a implantá-lo.

Foto: Carlos Humberto

Foto: Marco Sobral

Por já ter enfrentado muitas situações difíceis no ar, o comandante Gelson Dagmar Fochesato parece não ter problemas de enfrentar adversidades em terra. O gaúcho de 56 anos coleciona histórias surpreendentes, como uma passagem em Buenos Aires, quando pilotava um cargueiro DC-10. Devido a um grave erro de balanceamento, a aeronave foi praticamente catapultada abaixo da velocidade mínima para quase 1.500 pés sem que ele e o co-piloto tivessem o menor controle sobre a forte tendência de continuar subindo até a velocidade de stol.

O comandante iniciou a profissão pelo Aeroclube de Caxias do Sul em 1966 e passou um curto período no setor de táxi aéreo. A Varig, empresa onde trabalha há 37 anos, foi a sua porta de entrada para a aviação comercial e, ao mesmo tempo, o berço de sua militância sindical, que começou durante o regime militar em 1977.

Acordo de 80

O seu batismo na luta reivindicatória se deu em 1979 junto com outros 22 comandantes de B-727, que encabeçaram um movimento de pilotos da Varig e conquistaram o famoso Acordo de 80. Desde então, Fochesato participou de forma ativa de todos as mobilizações da categoria, inclusive das greves de 85, 87 e 88.

De l984 a 2001, com exceção do biênio 95/97, Fochesato foi membro da diretoria da Associação de Pilotos da Varig (Apvar) e exerceu a sua presidência .por quatro mandatos. As conquistas para os pilotos da Varig não foram poucas e começaram com as duas novas estruturas salariais em 91 e 98 e o resgate da participação dos trabalhadores nas Juntas Técnicas e Disciplinares com direito a voto.

Negociação no BNDES

A celebração, em parceria com o SNA, de contratos coletivos de trabalho em 98 e 2000 também foi fundamental para consolidar as conquistas dos funcionários. É importante destacar ainda a sua participação pró-ativa com a direção do SNA na negociação realizada com o BNDES em 1994, que garantiu o financiamento de US$ 270 milhões para a recuperação financeira da Varig.

Fochesato foi eleito diretor sindical em l998 e desde então permanece à frente do SNA. Foi recentemente escolhido para assumir a Secretaria-Geral do sindicato e recebeu a tarefa de representar os aeronautas na direção da Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil. Desse modo, vem trabalhando diuturnamente com as direções dos sindicatos cutistas na busca pela reestruturação do setor aéreo nos vários fóruns criados pelo governo.

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