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Foto:
Claudionor Santana

Barbosa Lima conta com a ajuda da família
para viver com um mínimo de dignidade
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Desde que parou de voar, no início deste ano, a Vasp não só se afundou como empresa, mas também interrompeu sonhos e causou transtornos pessoais. Sonhos como o da comissária Maria Helena Sampaio, de 24 anos, que, em 2002, enxergou na aviação civil uma porta aberta para o crescimento profissional. Transtornos como os do comandante Renato Barbosa Lima, de 52 anos, pai de quatro filhos, que, depois de 15 anos de empresa e vários meses sem receber salários, está tendo de recorrer a familiares para não provar dificuldades ainda maiores.
Vítimas da má administração que atolou a Vasp e de políticas governamentais equivocadas, esses dois aeronautas viveram, pessoalmente, os momentos que antecederam a atual crise vivida pela companhia. Barbosa Lima afirma que a situação, aos poucos, foi se desenhando para pior, já que as escalas passaram a ser modificadas sistematicamente. No segundo semestre de 2004, no entanto, o quadro começou a degringolar, sendo a falta de combustível um sinal claro de que o mal era bem maior do que os trabalhadores imaginavam. “Eu, particularmente, achava que era uma pressão política, até porque, na minha cabeça, o Canhedo não tinha nenhum problema financeiro”, afirma.
Em contrapartida, Maria Helena confessa que a única surpresa que teve foi com a velocidade do tombo. Segundo ela, a paralisação da Vasp parecia algo irreversível. “Nos últimos meses de operação, já dava para se ter uma idéia do que ia acontecer. Eram vôos fora do horário, atrasos de salários e uma série de outros sintomas”, assinalou a ex-comissária da Vasp. Ela não esconde a sua profunda decepção com a atual situação da empresa e avalia que “enquanto tiver um dedinho do Canhedo
na empresa, eu não acredito no retorno das atividades da Vasp”.
Atuação do SNA
O SNA, por sua vez, é o ponto de entendimento entre comandante e comissária. Ambos são unânimes ao apontar que o sindicato está sendo o melhor companheiro que o trabalhador poderia ter, diante do revés que o desmoronamento da Vasp provocou. Eles não têm dúvidas em afirmar que o cenário poderia ser mais assustador se não fosse a intervenção do SNA. “O sindicato está sendo ímpar com a gente. Se não houvesse a intervenção judicial, muito maior seria a amargura”, frisou Barbosa Lima, ao lembrar que continua em jogo a quitação dos direitos trabalhistas que ficaram pelo caminho.
Maria Helena, que atualmente é comissária da WebJet, não esconde a felicidade quando comenta sobre a nova chance que está tendo no mercado da aviação e faz questão de dividir o êxito com o SNA, que, entre outras coisas, deu a ela as devidas orientações de como proceder em relação aos créditos retidos pela Vasp. “Até então, a minha carteira profissional estava assinada e foi o sindicato quem me ajudou a desfazer esse nó para que eu pudesse me acertar onde estou agora”, comemora.
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Graças ao trabalho incansável da assistente social Rosângela Domeico Araújo, o SNA, nos últimos três anos, tem dado uma atenção especial para os aeronautas que estão encontrando dificuldades para se recolocar no mercado. A partir de um projeto pessoal batizado de Fórum de Oportunidades, ela costuma reunir grupos de trabalhadores em uma palestra de aproximadamente duas horas e meia, onde, entre outras coisas, ensina como elaborar um currículo adequado, como se portar diante do avaliador e, mais ainda, o que fazer para estar sempre em dia com a auto-estima.
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Foto:
Arquivo Pessoal

Rosângela tem um trabalho
muito elogiado
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A empreitada assumida por Rosângela vai muito além das sugestões teóricas e invade, literalmente, o aspecto prático da recolocação. Com boa entrada nas empresas, ela funciona como uma intermediária entre os setores de RH e os que buscam nova oportunidade de carreira. “Existe um acordo na Convenção Coletiva que obriga as empresas a priorizar o balcão de empregos
do SNA, mas isso não acontece. Por isso, vou à luta. Esse é um trabalho de formiguinha, mas que tem dado resultado”, comemora. A assistente social destaca a TAM como a companhia que mais tem recrutado profissionais por conta desse intercâmbio.
O ex-comissário da Vasp André Ramos de Souza, de 32 anos, é testemunha da competência do trabalho desenvolvido pela assistente social do SNA. Participou do Fórum de Oportunidades e atualmente está empregado como vendedor de passagens da
BRA, no Aeroporto de Congonhas.
Para participar do Fórum de Oportunidades do SNA, o aeronauta deve telefonar para a subsede de São Paulo (11 5531-0318). O atendimento é feito nas segundas e quintas-feiras, das 14 às 18horas. Os interessados também podem enviar um e-mail para o endereço
assistentesocial@aeronautas.org.br.
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