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Qual o balanço que o senhor faz dos trabalhos da Comissão de Intervenção da Vasp?
A nossa avaliação é bastante positiva. Trabalhamos muito nos últimos 45 dias e conseguimos terminar toda a documentação, que foi, finalmente, entregue, no final de agosto, à 1ª Vara de Falências de São Paulo. Agora, vamos aguardar com otimismo a decisão do juiz encarregado de avaliar o processo.
O senhor considera viável a proposta da Vasp de voltar a operar vôos de carga?
Consideramos essencial e a Comissão de Funcionários tem nos ajudado muito. Todas as decisões que dizem respeito aos trabalhadores são discutidas e avaliadas. Na realidade, temos trabalhado lado a lado e vale ressaltar que a comissão, antes de chegarmos aqui, já tinha feito um trabalho muito grande. Então, tudo aquilo que estamos conseguindo se deu graças à ajuda dos funcionários que fizeram os primeiros trabalhos de levantamento e de tudo que se fez necessário até então. Além disso, é importante assinalar que dentro da própria comissão temos as representações sindicais, o que facilita o nosso trabalho.
O senhor considera viável a proposta da Vasp de voltar a operar vôos de carga?
Estamos trabalhando nesse sentido e queremos que a empresa volte a operar com passageiro e carga. A primeira idéia que temos é que a empresa só voltaria a operar com vôos de carga, mas o fato é que a Vaspex também já tinha um nome forte no mercado. A direção da Vasp deu entrada no pedido de recuperação judicial.
Existem chances concretas de esse pedido ser aceito pela Justiça?
Acreditamos que sim, porque já cumprimos a primeira fase do nosso projeto, que foram as exigências documentais, entregues, inclusive, dentro do prazo. Agora, nos resta-nos esperar, com bastante otimismo, a decisão do juiz. Tudo aquilo que foi solicitado até então foi apresentado e, pelas avaliações iniciais que fizemos, o plano é perfeitamente viável. É bem verdade que só depois do acolhimento do juiz vamos nos dedicar completamente ao plano de recuperação. Mas, enfim, pelas primeiras avaliações, acreditamos que o plano é bem viável.
Nesse caso, a intervenção seria suspensa?
Não acreditamos nisso, pelo menos em um primeiro momento, pois, caso o processo seja acolhido pela Justiça, teremos um prazo de 60 dias para apresentar o plano de recuperação. Depois disso, vem uma segunda fase, que é a negociação com os credores dentro do prazo de 180 dias. Desse modo, a suspensão da intervenção depende de uma decisão judicial. Mas, pelo andamento do processo, essa Comissão de Intervenção deve permanecer até o final.
Por que a Comissão de Intervenção da Vasp apresentou um plano de demissão de funcionários?
Não apresentamos nenhum plano de demissão. Na realidade, encontramos uma situação de afastamento coletivo na Vasp. O que estamos fazendo, neste momento, é regularizar a situação de todo esse pessoal que foi afastado e que, até então, não estava conseguindo regularizar sua situação para buscar novos empregos. Muitos entraram na Justiça e outros já estão trabalhando em outras empresas. Mas ainda existem funcionários que estão numa situação irregular. É por essa razão que estamos chamando essas pessoas a comparecer na empresa para regularizar essa situação.
Como o senhor encara o desafio de ser o presidente da Comissão de Intervenção da Vasp?
Estou encarando com muita satisfação. Sou uma pessoa que sempre se dedicou à aviação comercial e não gostaria de ver uma empresa com a tradição da Vasp ou qualquer uma outra grande companhia desaparecer do cenário do setor aéreo. Minha posição, junto com os meus outros dois colegas interventores, é de otimismo, dedicação e muito trabalho para tirarmos a empresa dessa situação. |