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Apesar da crise da Varig, o pano de
fundo da campanha salarial deste
ano é o
crescimento da economia
e a recuperação da aviação civil.
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Foto:
Jaqueline Machado

Marco Reina, diretor de Regulamentação
Profissional do SNA, diz que há oito anos
a categoria não tem aumento real
e isso será mudado |
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Reajuste
salarial, diárias de alimentação e seguro obrigatório são os
principais pontos da pauta de reivindicação do Sindicato Nacional
dos Aeronautas (SNA) para a negociação do acordo coletivo com os
sindicatos nacionais das Empresas Aeroviárias (Snea) e das Empresas
de Táxi Aéreo (Sneta). Ao contrário dos anos passados, as
discussões vão tratar somente dos itens econômicos. Apesar da crise
da Varig, a onda de otimismo é impulsionada pelo crescimento recorde
registrado na economia e no setor aéreo, que registrou um saldo
positivo de 26% no mercado interno. |
Os
aeronautas reivindicam um reajuste de 12% nos salários para repor as
perdas com a inflação, estimada em cerca de 5,5% ao ano, e garantir
aumento real. Segundo o secretário de Fiscalização da Convenção
Coletiva e de Regulamentação Profissional, Marco Reina, há oito anos a
categoria só vem conseguindo repor a inflação.
Cenários do setor
Durante a assembléia que aprovou a pauta, os aeronautas avaliaram os cenários atuais do setor aéreo. Em meio ao impasse sobre o plano de recuperação da Varig e à crise ainda sem solução da Vasp, Reina reconhece que este não é o melhor momento para reivindicar aumento de salários para os funcionários dessas empresas. “Esses temas delicados podem funcionar como complicadores durante a campanha salarial”, afirma.
Para Marco Reina, outro obstáculo será a redução dos benefícios garantidos na convenção coletiva, prevista no plano de recuperação da Varig. Vale lembrar que a empresa ainda não repassou o reajuste de 5,8%, fruto da última data-base. Em contrapartida, o assessor econômico do SNA, Cláudio Toledo, assegura que os acordos coletivos de outras categorias têm garantido resultados favoráveis às reivindicações dos trabalhadores. De acordo com o economista, 86% das negociações feitas neste ano em diversos setores obtiveram reajustes de salário acima dos índices de inflação.
Piso salarial
Uma bandeira histórica do SNA, que volta à baila nesta data-base, é a criação de um piso salarial para os profissionais da aviação regular, copilotos, comandantes, mecânicos e comissários de vôo. As grandes empresas alegam que as companhias aéreas de menor porte não teriam condições de pagar um piso. “Temos nos mantido firmes na postura de que o mercado não pode praticar o salário que bem entender”, protesta Marcos Reina. Ele lembra ainda que, sem o piso salarial, o profissional em licença fica prejudicado, porque não recebe adicionais, como horas de vôo.
Os aeronautas também estão reivindicando um aumento de 20% nas diárias de alimentação, que passariam de R$ 30 para R$ 36. O valor pago é baseado nos preços dos locais onde os aeronautas se hospedam durante as viagens e, por isso, precisa ser reajustado de acordo com os valores de mercado. A atual convenção coletiva prevê que o valor fixado na data-base pode ser revisto a cada dois meses. “O percentual foi calculado de modo a garantir recursos suficientes para refeições adequadas”, acrescenta Reina.
O seguro para a cobertura de acidentes ou morte de tripulantes também consta da pauta de reivindicação. O objetivo do sindicato é dobrar os R$ 5 mil garantidos no acordo coletivo vigente. Segundo Marco Reina, o aumento é plenamente justificável, porque o valor atual é insuficiente. O SNA reivindica, ainda, uma cesta básica de R$ 200, a ser paga na forma de vale-alimentação, planos de saúde e de previdência complementar.
Mobilização da categoria
Embora muitos aeronautas estejam preocupados com a manutenção dos empregos ou não tenham tradição sindical, Marco Reina chama a atenção para a importância da participação da categoria nas assembléias da campanha salarial. “A mobilização é fundamental para dar força ao sindicato na mesa de negociação. O trabalhador precisa se despir por um momento do uniforme da empresa e buscar novas conquistas”, ressalta. Para o dirigente, a consciência e a visão macro dos trabalhadores são os principais pontos para garantir conquistas coletivas.
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