Avião Revue - Como vai ser chamado o projeto?
Carlos Camacho - Talvez adotaremos um nome que tem muito a ver com a formalidade técnica usada nos aviões: check-list dos passageiros. Traduzindo, seria uma lista de verificação, basicamente uma lista de direitos e deveres. Por exemplo: por que não se pode usar o telefone celular da sala de embarque até a entrada do avião? O celular potencializa a energia eletromagnética, no momento em que transmite e recebe uma ligação. Isso pode provocar um incandescimento das moléculas de combustível que estão suspensas na atmosfera. Trabalhamos com a prevenção. Se pode acontecer, vamos evitar. É essa a informação que queremos dar ao passageiro. Por que não é permitido. Durante o vôo, pode acontecer uma interferência: o avião entende que recebeu um sinal, considera aquele sinal e, no piloto automático, passa a buscá-lo. O piloto, então, precisa fazer uma ação corretiva imediata.
Avião - Além de informar os direitos e deveres dos passageiros, o check-list terá as explicações?
Camacho - Onde encontramos dúvidas, a intenção é explicitar para informar o passageiro. Na aviação, pode-se considerar que existem dois pratos em uma balança. Em um deles, há o poder concedente e o empresário, que interagem bem entre eles. No outro, estão os trabalhadores do setor e os usuários. Me parece que há uma linha divisória entre estes. Queremos tirar essa linha divisória.
Avião - Quais são os principais deveres que serão encontrados no check-list?
Camacho - Os deveres dos passageiros basicamente estão contidos nos bilhetes de passagem, como a apresentação uma hora antes do vôo. O passageiro deve chegar bem antes. Deve ser identificado. Assim, se coibe a entrada de meliantes e terroristas no avião. Pretendemos clarear as informações para os usuários, para que façam um vôo seguro. Temos de massificar a informação. Para que uma pessoa saiba que não pode levar dentro da sua mala, mesmo que transportada no porão, certos artefatos como fogos de artifício e fluidos que possam provocar incêndio. Dos 68 aeroportos controlados pela Infraero, só 27 são capacitados com verificação de bagagem e portão eletrônico de identificação de material metálico.
Avião - Em relação aos direitos dos passageiros, quais serão abordados?
Camacho - Teremos um cuidado particular com esse assunto de direitos dos passageiros para informar com coerência. Entendemos as dificuldades que as empresas passam. Não queremos colocar usuários contra as companhias aéreas. Cada um deve ter seu direito respeitado.
Avião - Seria distribuído gratuitamente para os passageiros?
Camacho - Seria. Mas estamos encontrando algumas dificuldades. Tínhamos o interesse em fornecer este material como presente de Natal para o passageiro. Mas, se não for possível, isso deverá acontecer nos dois ou três primeiros meses do próximo ano.
Avião - Existem empresas patrocinando o projeto?
Camacho - Estamos buscando patrocínio, inclusive de companhias aéreas. Vamos convidar as empresas e abrir um leilão. A intenção é de não parar mais com a produção da cartilha, mantê-la sempre. A tiragem ainda está sendo estudada.
Avião - Cada lote de tiragem teria um grupo de patrocinadores?
Camacho - A idéia é que cada bloco tenha quatro patrocinadores. Pretendemos que o check-list tenha quatro faces, dobrado de maneira estratégica, para que o passageiro possa colocá-lo no bolso, um material com layout bem produzido.
Avião - Caberiam todas essas informações em quatro faces?
Camacho - Tem de caber. Para isso contratamos um especialista. A intenção é não só atualizar as informações, mas mudar as que são priorizadas. Teremos também os e-mails que os passageiros poderão contatar. Para que contatem os órgãos de denúncia.
Avião - A produção será periódica?
Camacho - De acordo com a evolução e com a absorção das informações. Como o projeto todo está em estudo ainda, pode vir a ser modificado.
Avião - Como serão distribuídas as listas de verificação?
Camacho - Os check-list serão distribuídos nos principais aeroportos. Dificilmente teremos logística para tanto. Então, vamos atender em sistema de rodízio os aeroportos, veiculando o maior número possível de informação.
Avião - Além do Sindicato, mais alguma entidade está envolvida no projeto?
Camacho - Chamaríamos para somar. Mas a idéia partiu do Sindicato, representante nacional dos aeronautas.
Avião - Já conseguiram patrocinadores?
Camacho - Há dois ou três interessados e tenho convicção que uma empresa aérea vai se interessar. O sindicato tem uma excelente aceitação junto à indústria, mas ainda é desconhecido pelos passageiros. Queremos que os usuários nos conheçam.