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SNA se reúne com a diretoria da Anac para tratar da revisão do RBAC 117

3 de setembro de 2026

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SNA se reúne com a diretoria da Anac para tratar da revisão do RBAC 117

O SNA se reuniu nesta quinta-feira (3) com a diretoria da Anac para apresentar as demandas da categoria relativas à revisão do RBAC 117. Entre os documentos apresentados pelo sindicato está a Pesquisa de Fadiga 2026, realizada pelo SNA, que atesta como o sistema atual é extremamente fatigante.

Junto ao diretor-presidente Tiago Faierstein, ao diretor-relator do RBAC 117, Antonio Mathias Moreira, e ao Brigadeiro do Ar Ruy Amparo, o SNA destacou que a atual rotina conta com jornadas de trabalho extensas, períodos de repouso curtos e insuficientes e uma sequência de madrugadas e early starts consecutivos que geram severos prejuízos ao ciclo circadiano dos trabalhadores. 

Todos esses elementos juntos contribuem para o adoecimento precoce e também geram riscos diretos à segurança operacional. Um dado crítico da pesquisa revelou que mais de 4 em cada 5 tripulantes (80,8%) afirmaram já ter pego no sono involuntariamente durante o voo em 2026. 

Para 93% dos participantes, o tempo de descanso previsto na regulamentação não é suficiente para a recuperação fisiológica. Segundo o levantamento, períodos de repouso inferiores a 14 horas aparecem como o principal fator causador de fadiga e o mais recorrente nas escalas, apontado por aproximadamente 80% dos respondentes. 

Estudos científicos complementares citados no levantamento do SNA apontam também que realizar jornadas após duas ou mais apresentações seguidas muito cedo (early starts) aumenta em 3,5 vezes a chance de percepção de fadiga severa.

Se os estudos e dados colhidos comprovam a tese cientificamente, a percepção dos aeronautas também mostra que a revisão do RBAC 117 é urgente e fundamental. Em seu formato atual, o RBAC 117 resulta em maior exposição dos tripulantes à fadiga, especialmente em determinados padrões de jornada, repouso e sequenciamento das operações. Essa percepção aparece de forma direta na pesquisa de 2026, na qual aproximadamente 9 em cada 10 participantes concordam que as regras atuais aumentam o risco de fadiga.

O SNA reforça que segue trabalhando para demonstrar, a partir de relatos e evidências, que o regulamento precisa ser revisado. Além de apresentar o estudo, a reunião foi importante para cobrar maior celeridade da Anac no processo de revisão, visando à implementação de medidas mitigatórias eficazes para garantir uma aviação cada vez mais segura.

O sindicato também defende que a revisão do RBAC 117 representa uma oportunidade para customizar as barreiras de mitigação do risco de fadiga de acordo com a realidade operacional de cada empresa. A medida deve considerar as especificidades das operações e as evidências científicas para a construção de um Gerenciamento do Risco de Fadiga (GRF) verdadeiramente focado na segurança de voo. 

Pesquisa de Fadiga 2026

Para obter o relatório completo da pesquisa, acesse: aeronautas.org.br/?sna&resultado-pesquisa-fadiga2026

Os dados colhidos constataram que as causas e os efeitos da fadiga permanecem em patamares alarmantes. Em 2026, 80,8% dos entrevistados afirmaram que raramente ou nunca se sentiram cheios de energia nas últimas quatro semanas (indicando cansaço acumulado), contra 65% em 2023. 

Outro fator preocupante envolve os canais de prevenção: 95,1% dos entrevistados afirmaram que já se sentiram fatigados em operação e não fizeram o reporte formal. Embora tenha havido um aumento na proporção de tripulantes que já realizaram ao menos um reporte na carreira (cresceu de 52,4% para 65,2%), o índice de apreensão permanece o mesmo: em ambas as pesquisas, 73,8% dos aeronautas declararam que não se sentem confortáveis em reportar a fadiga às companhias. 

A Pesquisa de Fadiga 2026 esteve aberta para a participação de todos os aeronautas e serviu como base de comparação com o levantamento anterior, de 2023. Três anos depois, os resultados evidenciam que o problema se agravou em diversos aspectos e permitem identificar com maior precisão os fatores operacionais diretamente associados ao risco de fadiga. 

Em caso de dúvida, entre em contato com o SNA.

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